Até ao início da década de 80 os Açores estiveram incluídos nas rotas migratórias
internacionais, sendo que dentro do contexto nacional constituíram espaços de saída
de milhares de pessoas para outros destinos e, em especial, E.U.A e Canadá. Por isso,
a emigração é parte estruturante da cultura das ilhas açorianas sendo que a diáspora
açoriana acrescenta e atribui um valor único à açorianidade.
No final da década de 90 começou a assistir-se a uma situação inversa. Ainda que não
na mesma proporção, imigrantes vindos principalmente de Cabo Verde, Ucrânia e Brasil
vieram residir para os Açores em busca de um futuro melhor. A sociedade açoriana
passa então a deparar-se com a realidade com que os emigrantes açorianos haviam
encontrado nos EUA e Canadá.
A posição privilegiada dos Açores nestas dinâmicas migratórias (emigração, migração e
retorno) sugere, por isso, uma atenção particular às questões de integração,
discriminação e exclusão social, racismo e xenofobia. Isto significa que é necessário o
reforço de actividades que possam, de forma directa ou indirecta, valorizar a
experiência migratória açoriana com consequências positivas no processo de
integração dos imigrantes.
O cinema, tal como outras expressões artísticas, promove o desenvolvimento do
exercício da alteridade, da capacidade de nos colocarmos na posição do outro, de nos
descentrarmos e pormos em causa os nossos preconceitos e estereótipos.
A realização do Festival em Ponta Delgada pretende alertar para o facto de que as
migrações e os desafios da interculturalidade são questões transversais do nosso
tempo, das quais nenhuma sociedade pode e deve ficar alheia.
O Festival decorreu durante 8 dias, onde foram exibidos filmes, vídeos e produções
das secções competitivas e não competitivas seleccionados por uma comissão
especializada. Houve ainda um júri que premiou várias categorias a concurso.